Jiu Jitsu

 

 NOVO LIVRO DE REGRAS DE COMPETIÇÕES 2012

 

Todo judoca deve praticar Jiwww.judoesteio.com.bru-Jitsu – Saiba por que

 

O Judô é uma arte hoje Olímpica, e praticada no mundo todo. Entretanto, o Judô não é somente Nage-Waza (técnicas de projeção) e Osae-Waza (técnicas de imobilização). O Judô tradicional, o Judô idealizado pelo Sensei Jigoro Kano, envolve técnicas de defesa pessoal (Goshi-Jutsu), Newaza (luta de solo com estrangulamento e finalização) e também Atemi-Waza (técnicas de chutes e socos).
Infelizmente, o Judô competitivo acabou restringindo, aos poucos, as possibilidades de desenvolvimento nas outras áreas. As técnicas de goshin-jutsu e atemi-waza são treinadas apenas após a faixa preta, e normalmente na forma de Kata. E as técnicas de newaza foram deixadas de lado, pelo fato de que em competições, à depender do árbitro, o atleta tem muito pouco tempo para trabalhar a luta de solo.
Isso é razão para abandonar o newaza? Não! Saiba os motivos:

O Judô e o Jiu-Jitsu

Flávio Canto - Faixa preta de Judô e Jiu-Jitsu
Flávio Canto - Faixa preta de Judô e Jiu-Jitsu
Historicamente, o Judô e o Jiu-Jitsu são artes praticamente irmãs. Em geral, praticamente todas as técnicas de finalizações existentes no BJJ encontram-se no catálogo de técnicas do Judô. Entretanto, nenhuma arte no mundo desenvolveu tão bem a movimentação e a quantidade de variações das mesmas técnicas de solo quanto o BJJ (no Japão, o Kosen Judô continuou desenvolvendo o newaza, mas fica difícil saber até que ponto se desenvolveu tão bem quanto o BJJ). Não há outra arte no mundo mais especialista em newaza quanto o BJJ. Então, se precisamos de newaza, precisamos do BJJ.
Motivos para desenvolver o newaza:

1. Kuzushi – Todos os golpes do Judô são baseados em três princípios: kuzushi (desequilíbrio), tsukuri (entrada) e kake/gake (execução). Um bom judoca entende bem os princípios do kuzushi de cada técnica, de cada movimento, enquanto em pé. Porém, no chão, novos princípios de kuzushi surgem, principalmente envolvendo o uso do quadril, do próprio peso, de estabilização do corpo, etc. E um bom judoca começa a se limitar quando a postura começa a ficar muito baixa ou a luta vai para o solo. O BJJ é fundamental para dar ao judoca a compreensão ampla do kuzushi em todas as posições possíveis: em pé, sentado, agachado ou deitado.

2. Defesa – Muitas vezes, em competições, sofremos o golpe e caimos em posição de defesa. Mas em geral, o judoca leigo em newaza não sabe se defender e as vezes perde a luta por conta de bobeiras dadas como resultado de uma defesa ineficiente. O BJJ é fundamental para ensinar aspectos de uma boa defesa enquanto a luta se desenvolve no solo.

3. Ataque – Muitas vezes, em competições, arremessamos o adversário e ele cai em posição de defesa, ou as vezes, caimos com domínio sobre ele e ele ainda não está em posição de defesa. Mas o judoca leigo em newaza, quando encontra-se nessa posição, pára e pensa: “hum… o que posso fazer agora?” E quando pensa isso, o adversário já foi para outra posição de defesa. Então o judoca pensa: “tá, ele mudou, mas posso fazer algo agora?” E o adversário mudou de novo. Como o tempo é curto, nessa hora o juiz dá o mate e a luta volta ao tachi-waza (luta em pé).
Amplie seu conhecimento técnico em newaza através do estudo do BJJ
Amplie seu conhecimento técnico em newaza através do estudo do BJJ

Com o treino de BJJ, isso muda. Ao cair com o adversário no solo, você cairá em uma posição que você já conhece e já sabe instantaneamente o que fazer. Com isso, você é capaz de realizar uma conexão imediata as vezes durante a própria projeção, para técnicas de imobilização ou finalização, com muito mais eficiencia e velocidade. Você não precisará pensar. Você simplesmente fará. E isso faz a diferença nos campeonatos.
Alguns poderiam contra argumentar da seguinte forma:
- Em competições, a maioria pouco se importa com newaza. Então pra que eu precisaria me importar também?
Respondo com a história de um músico de Jazz. Perguntaram a ele porque ele praticava com seu instrumento por nove horas diárias. Ele respondeu: “Porque todos os meus concorrentes praticam por oito horas diárias“.
4. Conhecimento técnico – Muitos Judocas não querem ser atletas, ou não querem mais competir. Mas são raros os atletas que não querem chegar na faixa preta, e até mesmo um dia ensinar Judô. O newaza é parte do Judô. Desenvolver o newaza com os melhores especialistas do mundo na área, o BJJ, é, também, estar estudando e conhecendo mais o Judô. É estar adquirindo conhecimento técnico que complementa todo o conhecimento do Judô. E um bom professor de Judô deve ser capaz de auxiliar seus alunos que querem ser competidores, dando conhecimento de qualidade, conhecimento eficiente e orientação. Saber newaza é fundamental.

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 Mitsuyo Maeda

Mitsuyo Maeda nasceu em 1878 em Aomori, Japão. Foi para Tóquio em 1894, com dezessete anos de idade, sendo que foi neste período que ele iniciou seus treinos nas artes marciais japonesas, mais precisamente no Kodokan. Antes de ter se matriculado no Kodokan, Maeda não havia nunca treinado nenhuma outra arte marcial japonesa, de modo que o Judô sempre foi a sua única bandeira. Teve no Kodokan como professor Tsunejiro Tomita, 4° dan de Judô e um dos quatro cavaleiros celestiais do Kodokan Judo.
Na primeira parte desta série de artigos, foi explicado o que significa o ju-jutsu e porque é importante entender o significado e as diferentes terminologias, como jiu-jitsu e judô. Na segunda parte, foi visto que as escolas antigas de ju-jutso (jujutso koryu) estavam em decadência, e foi Jigoro Kano quem unificou o ju-jutsu e criou o Kodokan, o principal centro de estudos do que passou a se chamar Kano Ju-jutsu, e posteriormente, Judô. Nesta terceira parte da série veremos como um grande guerreiro do Judô trouxe ao brasil esta arte e como ela chegou aos Gracies, permitindo a criação do que hoje se chama Brazilian Jiu-Jitsu, ou Gracie Jiu-Jitsu.
Mitsuyo Maeda - O Conde Koma
Mitsuyo Maeda - O Conde Koma
Durante seus treinos no Kodokan, Maeda treinou com os melhores, numa época em que o Kodokan realizava diversos desafios para comprovar a eficiência do Judô tanto como arte marcial, assim como esporte e sistema educacional. Em 1901, recebeu o terceiro dan e começou a ensinar nas universidades japonesas. Em 1904, o Sensei Jigoro Kano sugeriu que Maeda viajasse para os Estados Unidos, para divulgar o Judô, sendo que antes de partir, recebeu do Sensei Kano o quarto dan.
Esta etapa da vida de Maeda é muito importante. Foi nesse período de viagens que Maeda participou de diversos confrontos contra lutadores de outras artes marciais como o boxe ou a luta-livre. Quando esteve nos Eua, Maeda conseguiu derrotar oponentes muito mais altos do que ele, que tinha em torno de um metro e sessenta e seis, e também mais fortes. Viajou também para o Reino Unido, México, Cuba e França, realizando no total, segundo relatos, mais de 500 lutas oficiais contra os mais diversos oponentes e dentro de diversas regras, inclusive regras de vale-tudo. Devido a seu feito, em 1912 o Kodokan promoveu Maeda a 5° dan de Judô.
O apelido Conde Koma foi criado por ele quando esteve na Espanha, para desafiar outro lutador japonês, sem ser reconhecido. Koma é uma abreviação de komaru, que significa “estar em situação delicada”. Ele retirou a última sílaba da palavra e adicionou o termo Conde, aceitando a sugestão de um amigo. Segundo alguns relatos, o estilo de luta de Maeda se resumia a iniciar o combate com chutes baixos e cotoveladas, para depois levar o oponente ao chão e finalizar, estilo este parecido com o de alguns atletas do Kodokan do início do século XX, desenvolvido por causa dos constantes desafios.
Kano Ju-Jutsu - Treino sem kimonos
Kano Ju-Jutsu - Treino sem kimonos
É importante notar que por causa das diversas viagens, Maeda pôde entrar em contato com outros japoneses que ensinavam Judô pelo mundo, além de entrar em contato com professores e mestres de outras lutas, assim como pôde desafiar campeões de boxe e luta-livre. Por conta disso, seu campo de conhecimento do judô não era apenas um conhecimento teórico típico de um mestre 5° dan, mas extremamente prático e amplo.
Maeda chegou ao Brasil em torno do ano de 1914, percorrendo diversas cidades brasileiras realizando demonstrações e lutas, como Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Belém, São Luiz e Manaus.
Neste momento, é importante ter em mente a confusão terminológica que passa a ocorrer. Neste período, inclusive no Japão, o termo “ju-jutso” ou “kano ju-jutsu” era utilizado quando alguém estava se referindo à parte técnica, sendo que o termo judô só era utilizado para se referir à parte filosófica. Foi somente em 1925 que o governo japonês oficializou o nome Judô como o nome oficial da luta que era ensinada nas escolas públicas do país. Na época que chegou ao Brasil, o nome Judô não estava oficializado, e portanto, era comum e esperado que os japoneses chamassem aquela luta de ju-jutsu, ou kano ju-jutsu. Por conta disso, era possível ver manchetes nos jornais brasileiros como a manchetes a seguir, do jornal “O Tempo” (1915):
Chega hoje, a bordo do paquete “Pará”, a toupe de lutadores japoneses de “jiu-jitsu”, que vem fazer as delícias dos freqüentadores dos popularíssimos do Theatro Politheama.
Essa troupe que é chefiada pelo Conde Koma, campeão mundial de “Jiu-jitsu”, desembarcará em trajes orientais, percorrendo as ruas em automóveis.
Os espetáculos a serem realizados pela troupe são em números pequenos, porquanto tem ela de, em breve, realizar outros contatos.
A terminologia “jiu-jitsu” era a terminologia utilizada pelos brasileiros para referir-se à luta japonesa Kano Ju-Jutsu, que seria posteriormente rebatizada oficialmente como Judô. E foi por este nome que ficou conhecida a luta que Maeda ensinou, ao se estabelecer no Brasil.
Foi em Belém do Pará que Maeda fixou residência e abriu sua academia. Lá, conheceu Gastão Gracie, que ficou muito amigo de Maeda. Gastão levou seus filhos para treinar com Maeda e aprender aquele estilo de luta que o tornava campeão de quase todos os desafios. É neste momento que começa a história do período em que o Kano Ju-jutsu se especializa em uma arte única e poderosa que hoje conhecemos como Brazilian Jiu-Jitsu.